13.9.14

promoção + batata + refrigerante

você entra no seu quarto, tira a roupa e põe a minha camisa, e desaba, mas com certo cuidado e cálculo, sobre sua cama, ou seja, você não desaba de verdade, mas você gosta da ideia de desabar, e pensa nisso milésimos de segundos depois do ato, ainda acordada, a cabeça pousando sobre o colchão, e se detendo ali, ao pé do seu travesseiro duro, esse ser inútil e babado, que não chega a estar fedido, mas que contrasta com o cheiro bom que você sente assim que entra no quarto, tira a roupa e põe a minha camisa, antes de deslizar sobre sua cama e se deter ali, antes de a sua cabeça alcançar o travesseiro, esse platô besta com fronha

você entra, joga a mochila no chão, tira a roupa, se abaixa pra ligar o pequeno ventilador que fica debaixo da mesa, tira a minha camisa da mochila, veste a minha camisa, pula, ou só sobe de gatinhas na cama, desliza e se detêm ali, e o travesseiro nem fede tanto, só lhe chateia por motivos que você tem preguiça de procurar agora, aqui, ali, e você adormece, dentro da luz e do calor das duas da tarde do mês de setembro em teresina

você entra e dorme, seminua, a camisa úmida e fria, você sentindo a cada pequeno movimento a brisa do ventilador esfriar também as recém-nascidas gotas de suor que começam a formar fios e deslizam transversalmente nas suas coxas e lhe causam arrepio, e seus pelinhos eriçados puxam a pele e criam o relevo de centenas de poros que em certa medida desviam o curso natural do suor levando o acaso a outro nível

você acorda mas não desperta, não abre os olhos mas sabe que ainda é dia pela claridade que toca suas pálpebras meio pesadas e trêmulas de quem ainda não se desvencilhou completamente do sono e nem faz força nesse sentido, apesar do leve incomodo do suor frio nas suas pernas e na camiseta grudada ao torso, ao qual você responde dando puxões nas costas e entre seios sobre a camiseta e passando a mão como se fosse um rodinho por toda a extensão interna das suas coxas até alcançar seu sexo

você detém a mão ali, primeiro em concha, depois mais relaxada, sente um pouco a aspereza dos pelos de três dias, sente a brisa do ventilador sobre o dorso da sua mão e atravessando o vão entre os dedos, então aperta seu sexo como quem aperta um sanduíche antes da primeira mordida, pensa em mim mordendo um sanduíche no centro de uma praça de alimentação de um shopping distante qualquer, sorri e volta a dormir profundamente