6.9.14

jm construções

É estranho e incoerente o processo das saudades, ou da falta, tanto se for pela ausência como por abandono ou morte. A gente crê a princípio que não pode viver sem alguém ou distante de alguém, a dor inicial é tão afiada e constante que a gente sente como que uma prostração sem limite ou como que uma lança interminável que avança, porque cada minuto de privação conta e pesa, se faz notar e fica atravessado em nossa garganta, e a gente só espera que as horas do dia passem, sabendo que sua passagem não nos levará a nada de novo a não ser a mais espera de mais espera. Cada manhã a gente abre os olhos -- se nos beneficiamos do sono que não permite esquecer totalmente, mas que confunde -- com o mesmo pensamento que nos oprimiu justo antes de fechá-los