12.7.14

prosa

você põe a cabeça no vão da porta antes de entrar observa demoradamente seu quartinho pouco iluminado e sem você e sem ninguém num dia comum você sentiria um leve arrepio como se uma ponta de solidão lhe espetasse a espinha num dia comum você entraria você deixaria a sua mochila cair sobre a sua poltrona velha você deitaria sobre o seu colchão e palavras como arrepio espinha solidão lhe viriam à cabeça inexpressivas (como se fizessem parte dum letreiro luminoso há muito tempo apagado)
num dia comum você se sentiria um pouco triste mas hoje você põe a cabeça no vão da porta antes de entrar observa demoradamente seu quartinho pouco iluminado e sem você e sem ninguém e só o que você sente é cansaço e isso quase faz com que você se sinta um homem comum e sem ninguém num dia comum