você põe a cabeça
no vão da porta
antes de entrar observa
demoradamente
seu quartinho pouco
iluminado
e sem você
e sem ninguém
num dia comum você
sentiria um leve
arrepio
como se uma ponta
de solidão
lhe espetasse
a espinha
num dia comum você
entraria você
deixaria a sua mochila cair
sobre a sua
poltrona velha você
deitaria sobre o seu
colchão
e palavras como
arrepio
espinha
solidão
lhe viriam à cabeça
inexpressivas
(como se fizessem parte
dum letreiro luminoso
há muito tempo apagado)
num dia comum você
se sentiria
um pouco triste
mas hoje você
põe a cabeça
no vão da porta
antes de entrar observa
demoradamente
seu quartinho pouco
iluminado
e sem você
e sem ninguém
e só o que você sente
é cansaço
e isso quase faz
com que você se sinta
um homem comum
e sem ninguém
num dia comum