6.10.14

mo(u)rning trip

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Foi na esquina da 13 de Maio com a Valdivino Tito que conheci Dona Luísa. Dona Luísa é uma senhora pequena e amável, e está sempre sorrindo, ostensivamente, como se não fazê-lo fosse falta gravíssima e todos devessem imitá-la. Aqui a maioria a conhece. O marido, com quem viveu por mais de quarenta anos, cliente dileto do bar e amigo de todos os demais fiéis frequentadores, morreu. Hoje faz dois meses, fiquei sabendo. Há cerca de três semanas, Dona Luísa começou a vir diariamente, chegando às quatro e partindo às seis, e, como durante anos o marido diariamente fizera, Dona Luísa se senta na mesa atrás do freezer azul-claro, sempre na mesa atrás do freezer azul-claro, e bebe suas sagradas cinco antarcticas. Dona Luísa parece fazer isso como se assim pudesse esconder de si mesma e dos demais a inelutável descontinuidade da morte

2
Inelutável continuidade da vida: tendo acabado de perder aquela com quem partilhara a maior parte dos seus dias, ele, aquele sobre quem a sombra da morte mais pesará, diz, com uma voz que é menos sua que daqueles que o cercam: "Mais um dia quente". Foi em Ozu



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Valdivino Tito é um nome engraçado