31.10.13

da perseverança

iniciozinho de noite. Depois de horas na piscina, as mãos já tão enrugadas. Mas ela quer dar mais um mergulho. Tenta ir até a borda oposta sem respirar, bem devagar. Nunca abre os olhos debaixo d'água e se admira quando sente uma das mãos tocar os azulejos azuis que ela não vê. Consegue voltar sem respirar também. Tenta dessa vez ir e voltar sem respirar. Se admira de novo. Tenta aguentar mais. Consegue. E mais ainda. Consegue. Quer dar o máximo de si e só vai ceder quando não tiver mais jeito

ela ainda tá lá, indo e voltando, e indo de novo, e voltando e indo, sem respirar. Ontem sonhei que ela abria a porta do quarto e tocava meu rosto com suas mãos enrugadas. Não sei se me escuta quando falo daqui da beira da piscina. Imagino que minha voz, abafada pela água, soe triste e incomode. Queria poder narrar o sonho pra ela, dizer o que ela me disse, ofegante, quando abri os olhos. Hoje ela comemora três anos debaixo d'água e agora eu sinto uma pontinha de alegria imaginando o quanto ela deve tá feliz